O rastreamento de Wi-Fi geralmente é apresentado como uma solução simples para medir o uso de espaços públicos: os smartphones emitem sinais, tudo o que você precisa fazer é contá-los. Na realidade, a implementação é mais complexa. Ela exige a instalação de equipamentos dedicados e levanta questões regulatórias específicas. Diante dessa abordagem, sensores térmicos autônomos propõem uma lógica diferente, baseada na detecção física de passagens. Essa comparação analisa detalhadamente as diferenças técnicas, operacionais e regulatórias entre o rastreamento Wi-Fi e os sensores autônomos para contagem de pedestres.
Pontos-chave
  • Obsolescência: Desde o iOS 14 e o Android 10, os smartphones têm transmitido identificadores aleatórios, falsificando a contagem de visitantes únicos.
  • Regulamento: A CNIL classifica o endereço MAC como dados pessoais, exigindo informações e o direito de se opor que são complexas de implementar.
  • Exaustividade: O Wi-Fi conta apenas os telefones que estão ligados (nem crianças, nem corredores sem telefone), criando um grande viés estatístico.
  • Térmico: Essa tecnologia é insensível às atualizações do software GAFAM e garante a estabilidade dos dados ao longo do tempo.
  • Para ir mais longe, consulte a documentação técnica e regulatória:

    1. CANIL, “Dispositivos para medir a frequência em locais públicos”, que lembra o status dos dados pessoais do endereço MAC. Veja o site da CNIL
    2. Suporte da Apple, “Usando endereços Wi-Fi privados no iPhone e iPad”, detalhando como o endereço MAC aleatório funciona desde o iOS 14. Documentação da Apple
    3. Fonte Android, “Comportamento de randomização MAC”, explicando as mudanças de privacidade desde o Android 10. Documentação do Android

    Como funciona o rastreamento de Wi-Fi?

    O rastreamento de Wi-Fi é baseado na detecção de sinais emitidos por smartphones e objetos conectados. Esses dispositivos transmitem regularmente identificadores técnicos via Wi-Fi ou Bluetooth, que os terminais podem captar nas proximidades.

    Um ponto costuma ser mal compreendido: não se trata de usar as antenas 4G ou 5G das operadoras de telecomunicações.

    Os dados da antena móvel pertencem às operadoras e são altamente agregados. Eles não podem ser usados diretamente para contar o número de passagens na entrada de um parque ou praça pública.

    No caso de rastreamento de Wi-Fi em áreas públicas, é necessário instalar caixas dedicadas no local. Esses terminais:

    • ouça os sinais emitidos pelos dispositivos,
    • capturar identificadores técnicos,
    • transmita-os para uma plataforma de análise.

    Sem esse equipamento físico, nenhum dado é coletado.

    Essa infraestrutura geralmente envolve:

    • uma fonte de alimentação permanente,
    • uma rede de comunicação estável,
    • manutenção técnica regular.

    Portanto, o rastreamento de Wi-Fi não é uma solução “intangível”. É baseado em uma instalação ativa, comparável a uma rede de sensores de rádio.

    Como funciona um sensor térmico autônomo?

    O sensor térmico autônomo tem uma abordagem diferente. Ele não capta nenhum sinal digital e não interage com nenhum dispositivo pessoal.

    Ele detecta a presença e o movimento de um corpo graças à sua assinatura térmica. No caso de um sistema estereoscópico, dois sensores permitem identificar a direção da passagem e limitar os erros.

    Os dados produzidos correspondem a uma passagem física real.

    Ao contrário do rastreamento por Wi-Fi, essa tecnologia:

    • não depende do nível de equipamento dos usuários,
    • não depende se o Wi-Fi ou o Bluetooth estão ativados,
    • não requer uma infraestrutura de rede local pesada.

    Um sensor autônomo funciona com uma bateria de longa duração, com transmissão em baixa velocidade ou sincronização atrasada.

    A lógica de instalação é mais leve e reversível.

    Confiabilidade dos dados: as diferenças concretas

    A questão central para uma comunidade não é apenas “quantos dados”, mas “quão robustos ao longo do tempo”.

    Com o rastreamento por Wi-Fi, a frequência medida depende do nível do equipamento do usuário e dos parâmetros técnicos que são invisíveis para o operador. Uma evolução das políticas de privacidade de um fabricante pode alterar a qualidade dos dados sem que o espaço público tenha mudado.

    A frequência real pode permanecer estável enquanto o volume de sinais detectados diminui.

    O sensor térmico autônomo, por outro lado, permanece independente desses desenvolvimentos tecnológicos externos. Os dados produzidos estão diretamente ligados à passagem física.

    Isso não significa que um sensor térmico seja infalível. Sua precisão depende do posicionamento, da configuração e do contexto de instalação. Mas seu princípio de medição permanece estável ao longo do tempo.

    Para projetos de avaliação de impacto — por exemplo, medir a evolução do número de visitantes em uma praça após a remodelação — a comparabilidade temporal é um critério decisivo.

    RGPD: status das restrições atuais no rastreamento de Wi-Fi

    A dimensão regulatória mudou profundamente nos últimos anos.

    O rastreamento de Wi-Fi envolve a coleta de identificadores técnicos vinculados a dispositivos individuais. Mesmo quando esses identificadores são pseudonimizados ou criptografados, eles podem ser considerados dados pessoais de acordo com o GDPR, especialmente se permitirem a reidentificação indireta.

    Isso requer:

    • uma base jurídica clara,
    • informações transparentes para os usuários,
    • às vezes estudos de impacto,
    • prazo de validade limitado.

    A conformidade pode se tornar um desafio operacional e de reputação.

    O sensor térmico autônomo, ao não coletar nenhuma imagem ou identificador, é baseado em uma lógica de medição anônima por design. Ele não captura nenhum dado que possa identificar um indivíduo ou um dispositivo.

    Para as autoridades locais, essa diferença geralmente pesa muito na decisão, especialmente em áreas sensíveis ou turísticas.

    Performances em ambientes naturais ou isolados

    O ambiente de instalação muda fortemente a relevância das soluções.

    O rastreamento de Wi-Fi requer uma infraestrutura de sensores interconectados, uma fonte de alimentação estável e manutenção regular. Em um denso centro da cidade, essas condições podem ser atendidas.

    Em um ambiente natural, em uma via verde remota ou em um parque sem cobertura de rede, a implementação se torna mais complexa. A falta de infraestrutura limita a confiabilidade do sistema.

    O sensor térmico autônomo, alimentado por bateria e transmissível em baixa velocidade, é mais facilmente adaptado a esses contextos. Ele pode funcionar sem uma conexão elétrica e sem uma rede Wi-Fi local.

    A questão então se torna estratégica: queremos medir um espaço urbano denso ou um território difuso?

    Qual sistema para qual território?

    Seria simplista se opor frontalmente às duas tecnologias.

    O rastreamento de Wi-Fi pode ser útil quando o objetivo é analisar fluxos globais em um ambiente já equipado, com uma ampla lógica de monitoramento estatístico.

    O sensor térmico autônomo é particularmente adequado quando o objetivo é produzir uma medição confiável, estável e comparável ao longo do tempo, em particular para:

    • avaliar uma política pública,
    • justificar um investimento,
    • medir o impacto de um desenvolvimento,
    • acompanhe a participação sazonal.

    A escolha, portanto, depende menos do efeito da modernidade tecnológica do que do uso real esperado.

    Tabela comparativa sintética

    Criteria Wi-Fi Tracking Autonomous Thermal Sensor
    Measurement Principle Detection of smartphone Wi-Fi/Bluetooth signals Detection of human heat signature (physical passage)
    Object Measured Devices (Smartphones) People (Actual physical presence)
    Data Reliability Variable (Dependent on device settings and MAC randomization) High (Direct physical detection)
    Long-Term Comparability Unstable (Impacted by OS privacy updates) Stable (Technology-independent)
    GDPR Compliance Complex (Personal data considerations) Native (Anonymous by design)
    Energy Dependency High (Continuous power and network required) None (Battery autonomous, optional low-power transmission)
    Infrastructure Requirements Network infrastructure + fixed installations Light installation, no civil works required
    Best Use Case Urban statistical flow estimation Reliable territorial footfall measurement

    Conclusão

    O rastreamento Wi-Fi e o sensor térmico autônomo não respondem à mesma lógica de medição.

    O primeiro detecta sinais digitais dependentes de equipamentos individuais e requer uma infraestrutura dedicada no local.

    O segundo mede uma passagem física, sem interação com os dispositivos do usuário e sem dependência de uma infraestrutura elétrica local.

    Em um projeto territorial, robustez, comparabilidade e simplicidade de instalação costumam ser mais estruturantes do que sofisticação tecnológica.

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